Estou farta daquilo que sou, farta daquilo que penso, farta daquilo que vejo, que sinto e farta daquilo que digo. Estou farta! Farta de tudo em geral. Farta de viver, nunca quis ser uma daquelas pessoas com a alma vazia, um fantasma, por assim dizer, apenas mais uma que sorri por sorrir. Mas foi exactamente nisso que me tornei. Já digitei tantas vezes 'estou bem' quando na realidade não estava e a dor esmagava-me mas, sempre quis ser forte, sempre quis não mostrar aquilo que sinto.
Não estou farta apenas do que sou por dentro, mas também do que sou por fora. É verdade, apenas mais uma fase da adolescência, dizem eles, mas só eu sei o que sinto e daquilo que dói. Dói não ser a rapariga que os rapazes bonitos, dói ser a única a dizer 'nunca namorei', dói e eu tento superar, mas nada resulta. O buraco que se abre quando alguém me magoa, nunca fecha... Fica ali, a remoer, a tentar destruir-me aos pedacinhos. E eu mais uma vez ignoro.
Rio quando tenho vontade de chorar, fico calada quando me apetece gritar e ignoro quando não o quero nem devia fazer. E cá estou eu, uma simples adolescente, a tentar viver a vida, um dia de cada vez.
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